Chimarrão, bebida amarga, larga um suave perfume, largo dia que começa. Que nada impeça o costume, que nada peça outro querer antes de te sorver por completo, antes do amanhecer. A lida pede passada, apressada, antes da hora: - Não quero muita demora, te quero andando tropeiro, ligeiro, sem trupicar! - Larga essa cuia xirú! - Larga essa vida largada! - Termina logo o devaneio e despede a madrugada! Permaneço calado, sorvendo o verde tranquílo. É no pensar, a gritaria, um alarido, estupidez, falta de sensatez de uma mente vazia. Ansiedade inoportuna, me atrapalha na fortuna desse momento feliz. A consciência me diz: - Te acalma índio, tem tempo! - O pensamento é agora, o trabalho é lá fora. Até que o raiar apareça, permaneço matutando, pensando em buscar a china pra chimarrear na esquina da vida que me espera; sair dessa tapera larga, que me amarga a solidão. - Mas, e o trabalho, gaúcho? - Te puxo pra fora do rancho, nem que seja de arrasto. - Pro pasto...
LIVRO & POESIA
Escrevo, respiro poesias e livros; vivo na expectativa de muitas possibilidades.