O engano que se ama é como o veneno disfarçado de outros sabores. Disimulado e encantador, vem; ningúem percebe e o bebe, como se fosse um bem. Poucos notaram as quedas e pedras falseantes, dos argumentos escorregadios da correnteza, que na pressa e no temor escondia os perigos da segura incerteza. Tentei avisar. Solito fiquei em meu grito, reputado como a errar, desacreditado, vendo o navio afundar. Tão logo beberam as notícias, embriagaram-se com elas. Agarraram-se às garantias do vento, no calor do abrasador momento, que aterrorizou as multidões e as fez como massa - massa de manobra e, de sobra, em peões. Vestiram-se, injenuamente, com as roupas da propaganda nas leis e decretos da guerra, acreditaram nas promessas, às pressas, a pretexto de uma nova e segura terra. As ameaças invadiram as ruas, tremeram e calaram vozes. As prisões da mente encarceraram o tímido bom senso. A desinformação venceu, a razão serena...
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